O que é Linux

7, Julho, 2008

por Augusto Campos

Este artigo responde a diversas dúvidas comuns de novos usuários, desenvolvedores interessados, ou alunos às voltas com trabalhos acadêmicos. Entre as questões, estão incluídas:

  • O que é Linux
  • Linux ou GNU/Linux
  • O kernel Linux
  • O sistema operacional Linux (ou GNU/Linux)
  • Como fazer download ou adquirir o Linux

e muitas outras. Ao final há um guia de referências adicionais sobre o assunto. Leia também O que é uma distribuição de Linux e a FAQ BR-Linux – Lista de Perguntas Freqüentes.

O que é Linux

Linux é ao mesmo tempo um kernel (ou núcleo) e o sistema operacional que roda sobre ele, dependendo do contexto em que você encontrar a referência. O kernel Linux foi criado em 1991 por Linus Torvalds, então um estudante finlandês, e hoje é mantido por uma comunidade mundial de desenvolvedores (que inclui programadores individuais e empresas como a IBM, a HP e a Hitachi), coordenada pelo mesmo Linus, agora um desenvolvedor reconhecido mundialmente.
Linus Torvalds

O Linux adota a GPL, uma licença livre – o que significa, entre outras coisas, que todos os interessados podem usá-lo e redistribuí-lo. Aliado a diversos outros softwares livres, como o KDE, o GNOME, o Apache, o Firefox, os softwares do sistema GNU e o OpenOffice.org, o Linux pode formar um ambiente moderno, seguro e estável para desktops, servidores e sistemas embarcado.

Acima você vê 4 telas do sistema operacional Linux em ambiente PC desktop. Mas o sistema funciona em dezenas de outras plataformas, desde mainframes até relógios de pulso, passando por várias arquiteturas: Intel, StrongARM, PowerPC, Alpha etc., com grande penetração também em dispositivos embarcados, como handhelds, PVR, vídeogames e centrais de entretenimento.

Linux ou GNU/Linux?

A Free Software Foundation advoga que o sistema operacional formado pelo núcleo Linux e o conjunto de utilitários e aplicativos que incluem aqueles desenvolvidos pelo seu projeto GNU deve ser chamado de GNU/Linux, e não simplesmente de Linux. A questão tem sido objeto de intensos debates há anos, sem que um posicionamento geral e definitivo seja alcançado.

Naturalmente a posição da FSF não é a única existente. São conhecidas as declarações de Linus Torvalds (que acharia interessante a existência de uma distribuição chamada GNU Linux e mantida pelo projeto GNU), de Eric Raymond e de John Dvorak, entre outros. Há ainda uma interessante citação da própria FSF afirmando que um nome como GNU/X11/Apache/Linux/TeX/Perl/Python/FreeCiv seria absurdo, portanto é necessário estabelecer um limite. Mas, diz ela, “Não pode ser justo dar todo o crédito para uma contribuição secundária (Linux) enquanto se omite a contribuição principal (GNU).” Outra citação digna de nota vem de um editorial do veterano Linux Journal: “Talvez Richard Stallman esteja frustrado porque Linus recebeu as glórias por ter feito aquilo que Stallman pretendia fazer.”

O kernel Linux

(inclui trechos da Wikipédia)

Inicialmente, o kernel Linux foi desenvolvido como um hobby por Linus Torvalds (então um estudante) com o objetivo de desenvolver seu próprio sistema operacional “Unix-like” que rodasse em processadores Intel 80386. Linus chegou a estudar o Minix, um sistema similar de autoria do famoso acadêmico Andrew Tanenbaum, mas não ficou satisfeito com a arquitetura deste (que não era um software livre, inclusive) e resolveu criar o seu próprio sistema. O projeto Linux foi publicamente lançado em 1991 em uma famosa mensagem para a Usenet.
Tux, o logo e mascote do Linux

Hoje o Linux é um kernel híbrido monolítico. Drivers de dispositivo e extensões do kernel tipicamente rodam com acesso total ao hardware, embora alguns rodem em espaço de usuário. Ao contrário dos kernels monolíticos padrão, os drivers de dispositivo são facilmente configurados como módulos, e carregados e descarregados enquanto o sistema está rodando. Também ao contrário de kernels monolíticos padrão, drivers de dispositivo podem ser pré-inseridos sob certas condições. Essa última característica foi adicionada para corrigir o acesso a interrupções de hardware, e para melhorar o suporte a multiprocessamento simétrico.

Embora Linus Torvalds não tenha tido como objetivo inicial tornar o Linux um sistema portável, ele evoluiu nessa direção. Linux é hoje, na verdade, um dos kernels de sistema operacional mais portados, rodando em sistemas desde o iPaq (um computador portátil) até o IBM S/390 (um volumoso e altamente custoso mainframe), passando por várias arquiteturas: Intel, StrongARM, PowerPC, Alpha etc., com grande penetração também em dispositivos embarcados, como handhelds, PVR, vídeogames e centrais de entretenimento.

De qualquer modo, é importante notar que os esforços de Linus foram também dirigidos a um outro tipo de portabilidade. Portabilidade, de acordo com Linus, era a habilidade de facilmente compilar aplicativos de uma variedade de origens no seu sistema; portanto o Linux originalmente se tornou popular em parte devido ao esforço para que fosse fácil fazer com que códigos de aplicativos disponíveis para outros sistemas (inclusive no Unix e no sistema GNU) rodassem no Linux.

Hoje, Linus Torvalds continua a dirigir o desenvolvimento do kernel, enquanto outros subsistemas (como ferramentas de desenvolvimento, ambientes gráficos e aplicativos) são desenvolvidos independentemente. A tarefa de integrar todos estes componentes para formar um sistema completo é desempenhada pelas empresas e organizações que mantêm distribuições de Linux.

O sistema operacional Linux (ou GNU/Linux)

(inclui trechos da Wikipédia)

Logo que Linus Torvalds passou a disponibilizar o Linux, ele apenas disponibilizava o kernel (núcleo) de sua autoria juntamente com alguns utilitários básicos. O próprio usuário devia encontrar os outros programas, compilá-los e configurá-los e, talvez por isso, o Linux tenha começado a ter a fama de sistema operacional apenas para técnicos. Foi neste ambiente que surgiu a MCC (Manchester Computer Centre), a primeira distribuição Linux, feita pela Universidade de Manchester, na tentativa de poupar algum esforço na instalação do Linux.

Hoje em dia, um sistema operacional Linux completo (ou uma “distribuição de Linux”) é uma coleção de softwares (livres ou não) criados por indivíduos, grupos e organizações ao redor do mundo, tendo o Linux como seu núcleo. Companhias como a Red Hat, a Novell/SUSE, a Mandriva (união da Mandrake com a Conectiva), bem como projetos de comunidades como o Debian, o Ubuntu, o Gentoo e o Slackware, compilam o software e fornecem um sistema completo, pronto para instalação e uso.

As distribuições de GNU/Linux começaram a ter maior popularidade a partir da segunda metade da década de 1990, como uma alternativa livre para os sistemas operacionais Microsoft Windows e Mac OS, principalmente por parte de pessoas acostumadas com o Unix na escola e no trabalho. O sistema tornou-se popular no mercado de servidores, principalmente para a Web e servidores de bancos de dados, inclusive no ambiente corporativo – onde também começou a ser adotado em desktops especializados.

No decorrer do tempo várias distribuições surgiram e desapareceram, cada qual com sua característica. Algumas distribuições são maiores outras menores, dependendo do número de aplicativos e sua finalidade. Algumas distribuições de tamanhos menores cabem em um disquete com 1,44 MB, outras precisam de vários CDs, existem até algumas que tem versões em DVD. Cada uma tem seu público e sua finalidade.

Veja também a questão O que é uma distribuição de Linux.

Download ou aquisição do Linux

Embora provavelmente a forma mais fácil de obter o Linux seja através dos CDs distribuídos como brinde em diversas revistas nacionais (escolha sempre uma versão recente!), o jeito mais fácil de obter sua cópia sem desembolsar nada a mais é através do download de imagens ISO, que são arquivos (geralmente por volta de 650MB cada um) trazendo o conteúdo completo de um CD-ROM, prontos para serem gravados em um CD, permitindo assim que você obtenha cópias idênticas de um CD original. Verifique na ajuda do seu programa favorito de gravação de CDs como fazer para gravar a partir de uma imagem ISO – quase todos os programas populares dispõem deste recurso, e a operação em geral é simples.

Algumas distribuições (como o Knoppix e o brasileiro Kurumin) são especialmente disponibilizadas na forma de Live CDs, capazes de rodar diretamente do CD e dispensando instalação no disco de seu computador – é uma boa forma de ter seu primeiro contato.

Como o Linux é um software livre, a maior parte dos produtores disponibiliza imagens ISO contendo exatamente o mesmo conteúdo dos CDs vendidos em lojas ou na Internet, e você pode fazer o que quiser com elas – até mesmo gravar em CDs para revendê-las (e se você quiser comprar CDs deste tipo, lojas virtuais brasileiras como a Tempo Real e a LinuxMall estão à disposição). Quando se trata de Linux, este tipo de cópia e revenda não é irregular nem anti-ético, pois é da essência do software livre.

Você pode procurar suas imagens ISO no site de sua distribuição preferida – às vezes será necessário fazer o download de mais do que uma imagem, e em outros casos o download da primeira imagem é obrigatório, e o das outras é opcional. Raras são as distribuições que não disponibilizam imagens ISO de instalação.

Se preferir, procure no site linuxiso.org, cuja especialidade é apontar links para imagens ISO dos CDs das distribuições de Linux do mundo todo.

Como se trata de um download grande (uma distribuição em 3 CDs corresponde a quase 2GB de dados), certifique-se de ter espaço suficiente no seu HD, e utilize um bom gerenciador de download.

Veja também o artigo Escolhendo, obtendo e gravando o Linux: como fazer o download ou comprar.

Referências

Para citar esta página em seu trabalho acadêmico

Dados para referência bibliográfica:

CAMPOS, Augusto. O que é Linux. BR-Linux. Florianópolis, março de 2006. Disponível em <http://br-linux.org/faq-linux>. Consultado em [data da sua consulta].

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Kurumin 7.0, grandes novidades à vista

7, Julho, 2008

“O Kurumin 7 está entrando em sua fase final de desenvolvimento. Esta versão é uma das mais importantes dentro da história da distro, pois marca várias mudanças importantes dentro do projeto.

A primeira é uma mudança “estrutural”. Versões anteriores do Kurumin eram baseados nos repositórios testing/unstable do Debian, que são destinados a desenvolvedores e usuários avançados. Embora ofereçam versões mais atualizadas dos pacotes, eles sempre resultam em pequenos problemas ao atualizar o sistema, o que é um grande problema para quem quer um sistema que “simplesmente funcione”, sem que seja necessário acompanhar listas e pesquisar soluções.

O Kurumin 7, marca uma mudança importante no projeto, passando a ser baseado nas versões estáveis do Debian, o que garante atualizações suaves e a possibilidade de usar a mesma instalação por muito tempo, sem se preocupar com atualizações ou correções de segurança. Basta atualizar o sistema via apt-get e atualizar os ícones mágicos, para manter sua instalação atualizada, sem dor de cabeça.”

Enviado por Carlos E. Morimoto (morimotoΘguiadohardware·net) – referência.

Veja abaixo o restante do texto enviado por Carlos Morimoto.

Ele é baseado no Etch, cujo lançamento oficial está agendado para Dezembro. Além de vir com um conjunto bastante atualizado de pacotes, este será um release “de longa duração”, que você poderá usar por um longo tempo, sem sustos ao tentar atualizar o sistema via apt-get

Outra novidade é a inclusão do NTFS-3G, que oferece suporte completo à escrita em partições NTFS, do Windows. Para ativá-lo, basta clicar no ícone “Montar partições em leitura e escrita” dentro do Meu Computador (também estão disponíveis os comandos para montagem manual). O sistema pede uma confirmação e, a partir daí, as partições do Windows passam a ser montadas com suporte a escrita.

Graças ao NTFS-3g, mais uma grave deficiência do sistema foi corrigida, facilitando a vida de quem mantém o Windows em dual boot, ou trabalha com manutenção. Imagine a praticidade de dar boot através de um live-CD, montar a partição NTFS do Windows e usar o ClamAV para remover os vírus ;) .

Embora o ntfs-3g ainda seja considerado um software em estágio beta, problemas de corrupção de dados são bastante raros. Forcei uma série de situações potencialmente perigosas durante os testes, movendo pastas com mais de 1000 arquivos e subpastas, interrompendo operações no meio e até desligando o micro no botão durante uma cópia, sem conseguir causar problemas sérios na partição. Dentro da minha experiência, o máximo que poderia acontecer em casos mais extremos seria você precisar passar um scandisk através do próprio Windows para corrigir eventuais problema na estrutura do sistema de arquivos.

Outra coisa que chama a atenção é o desempenho. O ntfs-3g obtém taxas de transferência absurdamente maiores que o Captive e o Paragon, se aproximando do desempenho que seria oferecido por um sistema de arquivos “nativo”. No Captive, além de todos os problemas e bugs, dificilmente se obtém mais de 300 kb/s de taxa de transferência, enquanto o ntfs-3g consegue manter entre 5 e 11 MB/s (oscilando de acordo com o tamanho dos arquivos copiados).

Além de quase todos os pacotes terem recebido atualizações em relação ao Kurumin 6.1, o Kernel também foi atualizado, para o 2.6.18.1, que além de atualizações nos drivers, trouxe melhorias importantes no conjunto de drivers para controladores serial ATA, corrigindo problemas de compatibilidade com diversas placas mãe recentes, onde antes era impossível instalar o sistema. Outras melhorias menos visíveis foram as melhorias no suporte a placas wireless em geral, no suporte aos leitores de cartões integrados (encontrados em muitos notebooks recentes) e a vários outros componentes recentes ou incomuns.

Foram incluídos também scripts para configuar o Bluetooth e compartilhar a conexão com o Palm, além do kmobiletools, kbluetoothd e kbtobexclient, formando um conjunto bem completo de aplicativos para quem quer colocar o desktop e o celular ou palm para conversarem via bluetooth. Se você tem um transmissor bluetooth e um aparelho compatível, não deixe de testar a novidade.

A partir do beta 3, passei a utilizar o grub como gerenciador de boot padrão, substituindo o lilo. Como não encontrei nenhum script de detecção que fosse confiável, escrevi um script próprio, que detecta os sistemas instalados e configura o grub automaticamente durante a instalação. Como de praxe, sugestões e correções são bem vindas. Caso tenha qualquer problema com relação ao grub, poste antes de mais nada o conteúdo do arquivo “/boot/grub/menu.lst” gerado durante a instalação (o próprio instalador oferece a opção de visualizar o arquivo antes mesmo do final da instalação). Apesar disso, o lilo continua disponível, basta escolhê-lo durante a instalação.

Foram incluídos também scripts para configuar o Bluetooth e compartilhar a conexão com o Palm, além do kmobiletools, kbluetoothd e kbtobexclient, formando um conjunto bem completo de aplicativos para quem quer colocar o desktop e o celular ou palm para conversarem via bluetooth. Se você tem um transmissor bluetooth e um aparelho compatível, não deixe de testar a novidade.

O beta 3 traz também as artes e boa parte das alterações visuais que estão sendo feitas para a versão final, incluindo algumas contribuições do Juliocbm e do Jkennedyjr, sem citar o trabalho do Luciano Lourenço, que dispensa apresentações. Os menus também foram reformulados e estão bem melhor organizados do que nas versões anteriores.

Acompanhe o tópico de desenvolvimento no:
http://www.guiadohardware.net/comunidade/v-t/663233/

Faça o download do beta 3 aqui:
http://fisica.ufpr.br/kurumin/kurumin-7.0b3.iso
MD5SUM: 93ed4ed223506012284d132c7d6062f9 kurumin-7.0b3.iso

Página do Kurumin:
http://www.guiadohardware.net/gdhpress/kurumin/

Aproveite para nos fazer uma visita no novo fórum do Kurumin:
http://www.guiadohardware.net/comunidade/v-f/9

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